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Segredo do Sucesso: o jabá!

Dinheiro e Música

Você liga o rádio e ouve uma música que está tocando. Muda a estação e dali a pouco a mesma música. Vai para a televisão, lá está a música ou o artista de novo.  Passa na banca de jornais e vê a cara do mesmíssimo famigerado artista na capa da revista. Compra um jornal para se inteirar do que acontece no mundo e, adivinha quem está na seção de shows, ou aparece em alguma propaganda do jornal, ou ainda em alguma matéria falando sobre uma personalidade? Resposta: o tal artista de novo…!
Aí você começa a pensar: “puxa, essa pessoa é talentosa mesmo! Para essa pessoa estar sendo tão falada assim está fazendo o maior sucesso. Deve ser muito boa!”.
Você muitas vezes até se convence de que, se esse artista está em tantos lugares sendo tão celebrado, é porque deve ser talentoso ou tem algo especial.

Esse fato acontece com todos nós e o resultado acaba sendo a atração de milhares de pessoas por causa de toda essa maciça aparição. E o cidadão comum, como na maioria das vezes só possui os meios tradicionais de mídia, acaba consumindo e aceitando esse artista que a mídia que ele confia está “sugerindo” para ele.
São músicas que se repetem, artistas que se repetem, e até nos sites mais populares da internet podemos ver esses supostos artistas aparecerem ou emprestando suas imagens para promoverem algum produto.
Mas muitas pessoas se pegam pensando: “ouvindo com atenção ou vendo esses artistas atuarem como cantores ou até ouvindo a composição musical deles não me parece que são tão especiais quanto querem me mostrar!”. Até já ouvi muitas pessoas dizerem: ” eu canto melhor que fulano, eu faço melhor que ciclano…” (todo mundo acha isso né, kkkk).
Aí vem a inevitável pergunta: por quê então esses artistas estão aí, tocando nas rádios, aparecendo na tv? Será mágica? Destino?

Você já ouviu falar de jabaculê ou jabá?
Dizem as “boas” línguas que Jabaculê ou Jabá nada mais é que uma grana (mais conhecida como propina) que as gravadoras, empresários ou os próprios artistas pagam para receberem determinados favores da mídia no geral.
Você pensa que um artista ganha pra ir na televisão? Não meu amigo, não minha amiga, ele paga!
Tipo, se o artista quiser que sua música toque na programação de uma rádio é só pagar o jabá. Se o artista pretende estar na tv, paga o jabá e aí ele pode aparecer em qualquer programa. Se quiser os de maior audiência, aí o jabá é mais caro.
Se quiser que apresentem ele como “o mais ouvido da semana!”, “o número 1 das paradas de sucesso!”,  jabazinho em troca que “tá tudo em casa”.
Uma manchete no jornal falando “esse artista é extremamente talentoso!”, foi jabá.
Programas de auditório, aqueles que vão os artistas famosos ou os aspirantes ao sucesso, também fazem parte dessa brincadeira a fim de promover essa “casta” tão especial de pessoas talentosas.

Se for assim, na verdade então a música da mídia não se trata de uma arte em nossos dias. É só outro negócio em meio ao capitalismo e, se algo vender, tanto faz se é caviar ou lixo. Vendendo, vale tudo. Isso não é opinião pessoal, é fato.
Parece que vale até expor as pessoas ao ridículo ou expor alguém de forma erótica, mostrando suas partes quase íntimas. Não que não seja bonito de ver muitas vezes, mas aprendemos pelo senso comum que a música era uma arte para se OUVIR e, se quiséssemos VER algo pornográfico, deveríamos nos dirigir até um local específico para tal. Mas não! Parece que a maioria gosta de misturar algumas coisas que não tem nada a ver entre si, e é o caso da MÚSICA.


Desperdício de talento: catador de lixo esbanja talento musical.

A princípio algumas questões emergem:
Com a ocorrência do jabá, não estaríamos mudando a ordem natural das coisas, onde trocamos a arte unicamente pelo fator financeiro?
E a arte e a tradição musical que poderíamos construir em nosso país como fica?
E os talentos reais que o Brasil está desperdiçando pela falta de oportunidade que esses cartéis monopolistas promovem visando única e exclusivamente o lucro?

E, aonde está a democracia? O povo acaba sendo obrigado a ouvir o que essas mídias ditam que é bom pois nem sempre tem oportunidade de apreciar coisas diferentes e assim poder formar uma opinião e escolha própria. As pessoas não possuem muito tempo para procurarem cultura por si próprias (ou até não estão acostumadas a isso) e acabam ficando com o que é mais cômodo, ou seja, ligam um botão do rádio de seu carro ou da tv de sua casa e “apreciam” o que está passando.

E o culto a determinadas mídias está tão “calcificado” em nossas tradições e mentes que apenas imitamos o que a maioria faz. Simplesmente ouvimos o que a maioria ouve, assistimos o que a maioria assiste e vamos vivendo assim, sem escolhas próprias, sem questionamentos.

Obviamente também temos muitos artistas talentosos na mídia, mas infelizmente SÓ o talento parece que não basta. Se bastasse só talento muitos cantores que vão ao programa Raul Gil por exemplo fariam sucesso nas demais mídias. Tantos talentos brilhantes desperdiçados resumidos a uma competição muitas vezes sem grandes frutos futuros.
Por quê? Porque o que se percebe é que a maioria não se importa com a qualidade musical de um artista, mas sim se ele está em programa tal da emissora de televisão mais vista do país, ou se ele toca na rádio, ou se aparece na revista famosa…
Ou seja, o termômetro do público não é a qualidade musical mas sim se OUTROS também gostam! “Se estão ouvindo, aí também vou“. Puro comércio. Já percebeu que os vendedores usam isso para venderem para você: “Compra esse aqui porque tá saindo igual água, tá todo mundo comprando…“. É pra tentar convencer o consumidor que ele está fazendo a coisa certa, pois se muitos outros também compraram, é “porque o produto é bom“.

É o que a maioria pensa, não é verdade? E algumas mídias parecem fazer o mesmo: mostram um suposto “sucesso” porque sabem que isso trará mais pessoas porque já é um costume popular a historinha da “maria vai com as outras“. Somos assim transformados em marionetes sobre o controle de rostos anônimos que nos movem para ouvir e ver o que querem.

E o pior é que se você, mesmo ciente disso infelizmente não se importar, acaba sendo coadjuvante. Acaba sendo um dos maiores culpados por esse quadro.

Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade

Essa é uma frase famosa de Paul Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista de Hitler.
Será que há algumas mídias (tv, rádio, revistas, jornais) se utilizando dessa técnica também?

Assista um vídeo abaixo que fala sobre o Jabá.
ATENÇÃO: Não somos responsáveis pelo vídeo e o mesmo contém linguagem que pode ser considerada imprópria.

Conclusão

Apesar disso tudo amigos, só quero deixar um recado para você que “sonha” em se tornar artista.
Continue sonhando, mas o principal é gostar realmente do que faz. Você só vai continuar a buscar suas metas se realmente gostar do que faz, porque como você pôde observar, os empecilhos não são poucos.
Estude bastante, corra atrás de trabalhos menores para praticar sua performance e mantenha seus objetivos em patamares reais, ou seja, alcance suas metas degrau-por-degrau. Não queira chegar no topo do dia para noite, não pule os degraus que devem ser pisados com cuidado, um-a-um, porque senão o tombo pode ser grande.
E, pelo amor de Deus, faça arte, mantendo sempre em vista a pessoa que você é, sua personalidade. Não queira imitar o que é “modinha passageira”, porque você vai perder suas características e vai soar falso. Influências musicais todo músico tem, mas optar por um estilo só porque “vende mais” pode fazer com que você não se sinta realizado e provavelmente isso vai te decepcionar mais cedo ou mais tarde. 

Veja alguns vídeos curiosos sobre o jabá…

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oGuitarrista

oGuitarrista

Evaldo Devellis - Guitarrista há 30 anos, foi autodidata em violão e guitarra. Posteriormente estudou com Faíska e Giácomo Bartoloni. Também cursou o Conservatório Souza Lima, Voice e IGT.

5 Comments

  1. a música nacional esta realmente deprimente. Onde estão aquelas bandas boas que faziam sucesso antigamente?

  2. Já trabalhei em rádio e sei como funciona. É por ai mesmo. Os caras pagam até para a concorrência não tocar.

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